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sábado, 23 de junho de 2007

41.E o fim é belo incerto... depende de como você vê


No caminho ela pensava que tudo era diferente, que aquele encontro preparado- casual- inesperado fizera com que sua alma acompanhasse sua mudança física. Não estaria mais cercada de rostos conhecidos e se sentido só. Embora agora, a solidão de novas fisionomias, seu coração se aquecia pela lembrança de um rosto recém- conhecido- velho-amigo.
-Uh-uuuuuu. E no meio de tanta gente eu encontrei você. Entre tanta gente chata sem nenhuma graça, você veio... É Marisa.. Até me lembrei de você!
Pela janela do ônibus via as coisas irem ficando para trás e sua nova vida ir se aproximando.
Apertava o cartão de visitas na mão como se ainda o pudesse tocar, e sorria longamente ainda sentindo o suave selo da afinidade nos lábios.
Pensava no porquê de se encontrarem a pouco antes dela ir. Sempre estiveram ali na mesma cidade. Quem sabe já até não teriam se visto? E riu-se pensando na possibilidade de nem ter ido com a cara dele, em algum possível anterior encontro. Balançou a cabeça achando-se ridícula. “-Estou indo longe demais.”
Na primeira parada do ônibus pensou em ligar para ele. Melhor não. Esperar um pouco, dar espaço.
Seguiu viagem feliz e grata. E sentia-se segura nos bons sentimentos do seu coração. Uma sensação de que coisas bonitas e diferentes, quando acontecem assim, sem esperar, são sólidas. Fazem bem. Amadurecem. Encantam. Prendem por libertar. E não se acabam, nem pela distância.
Finalmente conseguiu esperar pela semana passar para então ligar para ele. Um pouco chateada porque esperava algum sinal de vida, dele. Mas o que importa? Ele mudara sua vida da forma mais simples. Não precisava fazer joguinho, fingir. Podia ser livre para ser, para ligar para alguém que se fez tão igual, cúmplice, tão próximo da sua alma.
Que importava se foram tão poucos minutos de convivência. Não era mais criança e entendia que com o passar do tempo, o encanto do primeiro encontro passaria pelas descobertas das falhas, fragilidades, defeitos, manias. Mas aquele rápido momento era o suficiente para querer conhecer e descobrir mais. Não era isso que ele queria dizer quando lhe falou:
“-Acho que eu não estava nesse banco de rodoviária por acaso. Alguma coisa nos trouxe ao mesmo lugar com o mesmo problema. Deve ser isso que chamam de destino.”
As suas pernas tremiam.
O teto daquele novo apartamento rodou sobre sua cabeça.
Caiu deitada no chão do quarto, até conseguir deixar o primeiro grito sufocado sair, que veio junto com as lágrimas.
Não sabia se chorava de ódio, de tristeza, de raiva, de saudade, de...
desespero.
Quem havia dado a ele o direito de se matar?
Então é assim? Encontram-se, conversam, muda a vida dela, vai embora e se mata?
E esse raio de destino, irônico, que brinca , ri e debocha da nossa cara.
Por que não passara direto e esperara o ônibus em outro lugar? Era triste sim, mas estava bem. Já havia se acostumado com aquela insegurança de quem não queria mais sofrer, e nem ter mais o que esquecer. Estava em paz na solidão.
E chorava desesperadamente ao lembrar daqueles olhos de longo alcance de sua alma.
-Maldito!
-Egoísta!
Soube dizer e fazer tudo para envolvê-la à medida da sua necessidade- como se pessoas pudessem ser usadas simplesmente para satisfazer necessidades. É, sentiu-se usada e foi nesse momento que
Abriu os olhos
Sentou recostada na cama.
Respirou fundo.
Parou de chorar.
Serenamente limpou as lagrimas do rosto, levantou-se, foi até a cômoda e olhou para dentro dos próprios olhos que a encaravam.
- Até passar por aquele banco você não existia, João, em minha vida. E por ser egoísta, covarde, cheio de si, encerrou a própria existência na minha.
Se você tivesse nos dado uma chance... Mas não deu!
Eu, graças a você, sou agora e cada dia mais buscarei ser Deolinda linda. Você, João, para mim e para o resto do mundo, graças a você mesmo: ninguém.

(Que Marisa o quê! Prefiro o Pedro, irmão daquela e filho daquela outra "Eu não me escravizei,nem me entreguei a você . Sou livre para amar João... José... Joaquim....)
(08/06/2007)

Um comentário:

  1. bruninho13:14

    primeiro pensei... Caraca! taí uma coisa que pode mudar a vida dele... afinal ela tb era egoísta ao ponto de nao querer mudar de vida. (na história original) achei... ele poderia mudar tb... hahahaha! mas vc tb matou o cara. manteve longe da vida dele a esperança de mudança(só as mulheres possuem esse dom...) enfim... parece que ela desabafou um grito de revolta por todos serem iguais... tipo posso ficar com qualquer zé, pedro ou sejá quem for marisa... no fim da sua história todos sao egoístas, ele morto e ela usando todo mundo pra ser alguma coisa entre a felicidade e a cultura "cult" da nossa geração despresada e despresível... palavras minhas...

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